sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ordonnanzpistole 00

Apenas dois anos após Georg Joahann Luger ter patenteado o desenho do que viria a ser uma das mais conhecidas pistolas de todos os tempos a Federação Helvática tornou-se o primeiro país a oficialmente adotar o modelo (quatro anos antes da própria Alemanha).
 O exército suíço usou a versão em calibre 7.65mm Luger (7.65x21mm Parabellum ou .30 Luger) como padrão até ao final dos anos 40 do século passado mas a arma só foi completamente descontinuada já na década de 70!
Este calibre não era muito poderoso, sobretudo relativamente à capacidade de “parada”, mas era muito preciso (mais do que o 9mm Parabellum). Também o mecanismo de gatilho das armas “suíças” (só passaram efetivamente a ser produzidas em solo suíço a partir de 1917, na Eidgenössische Waffenfabrik em Berna) era diferente, para melhor, do que o utilizado nas suas “primas” alemães. Uma outra diferença relativamente à “P08” era um ligeiramente maior comprimento do cano (120mm invés de 100mm). Estas três características fazem da encarnação suíça, chamada de “Ordonnanzpistole 00” ou “OP00”, a “Luger” ainda mais precisa do que a “P08”; que graças à empunhadura anatómica, cano fixo e linhas elegantes já tinha assinalável exatidão de tiro.
Contudo todas as versões desta arma possuíam os mesmos defeitos básicos; eram mecanismos complexos cuja produção requeria cuidada colocação manual de várias peças que eram manufaturadas com reduzidas tolerâncias. Tudo isto contribuía para encarecer o produto que, em consequência, jamais conseguiu competir convincentemente no mercado civil.
Também o original mecanismo de “joelho articulado” não era isento de problemas na medida em que, ao abrir, deixava muito do interior, em especial da parte esquerda, acessível e mesmo pequenas quantidades de detritos poderiam ser o suficiente para causar mau funcionamento. Tal era que mesmo no mercado militar acabou por ser substituída por pistolas mais baratas e mais confiáveis.
Embora a tradição isolacionista e neutral da Suíça tenha impedido de testar a “Ordonnanzpistole 00” em teatros de guerra este modelo pontua muito alto ao nível de “qualidade” (até porque toda a produção foi realizada em tempos de paz), “precisão” e “ergonomia”. As pontuações ao nível de “segurança”, “funcionalidade” e “inovação” são médias. Já o “custo”, “produção” e “fiabilidade” apresentam valores relativamente baixos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As melhores armas

O adjetivo “melhor” é de natureza ambígua e, só por si, capaz de criar intermináveis e improdutivas polémicas. Basta presenciar uma discussão sobre quem é o melhor jogador de futebol do Mundo, de qualquer era, para ilustrar a questão.
Porém, e desde que exista uma prévia definição de critérios, é possível estabelecer comparações e consequentemente efetuar uma disposição metódica dos itens. É a isso que me proponho; definir quais as melhores armas de determinados períodos históricos.
Contudo, e de forma a atenuar inevitáveis questiúnculas e discordâncias, a série de textos dedicados a este assunto adotará uma pelicular abordagem; elegerei três candidatos; primeiramente emergirá a “melhor” arma “strictu sensu” (aquela que, ignorando as contingências económicas ou industriais é a arma mais eficiente e avançada do seu tempo) …a escolha das forças de elite.
Uma outra escolha refletirá a “melhor” opção “mainstream” baseada em critérios como a relação eficiência/preço, a durabilidade, facilidade de utilização ou de produção.
Por fim a terceira escolha recairá sobre a arma que teria a preferência nos casos em que a contenda assuma características desesperadas, quer pela incremental escassez de recursos, natural com a dilatação dos conflitos; quer pelo aproximar desesperado de uma derrota absoluta. É a “ultimate last-ditch weapon”; aquele derradeiro trunfo que resta aos governos para equipar reservistas ou mesmo civis num último esforço. O baixo custo e velocidade produção são as qualidades mais prezadas, mesmo que o produto final seja falho em finesse e cru nos pormenores.

Mais um?

Sempre achei que armas têm alma! E não me refiro à parte oca do interior do cano de uma arma de fogo, mas sim ao conceito de imaterialidade espiritual que transcende o objeto e a sua aplicação.

São instrumentos que impressionam, mesmo em repouso, quer pelo poder potencial que encerram quer pela corporização de uma eficiência e objetividade raramente encontrada noutras ferramentas.

O primeiro utensílio produzido pelo Homem foi uma arma; o biface (ou "machado de mão"), e desde esses tempos imemoriais a Humanidade têm sido diligente e aplicada na perpétua procura de formas mais eficientes de matar ou incapacitar os seus semelhantes!

São, provavelmente, o tipo de utensílios que melhor define a essência humana e a sua dicotómica natureza de genialidade e monstruosidade.

Eu gosto de armas…e acho que faltava um espaço, em português de POrtugal, onde se escreva sobre o assunto. Fascina-me especialmente o período de 1939/45, onde, por instância do maior conflito da História Mundial, a ciência das armas progrediu exponencialmente atingindo patamares evolutivos tão elevados que, ainda hoje, os modelos atualmente em uso empregam os mesmos princípios básicos. A aparente “cristalização” das armas de fogo ligeiras, ou mais concretamente do seus “princípios de funcionamento”, nos últimos 50 anos é o mais pungente elogio à capacidade inventiva dos homens que criaram estas “máquinas de morte”! Contudo, e mesmo sendo uma frase-feita, convém recordar que as armas, per si, não matam ninguém!