Apenas dois anos após Georg Joahann Luger ter patenteado o desenho
do que viria a ser uma das mais conhecidas pistolas de todos os tempos a
Federação Helvática tornou-se o primeiro país a oficialmente adotar o modelo
(quatro anos antes da própria Alemanha).
O exército suíço usou a versão em calibre 7.65mm
Luger (7.65x21mm Parabellum ou .30 Luger) como padrão até ao final dos anos 40
do século passado mas a arma só foi completamente descontinuada já na década de
70!
Este
calibre não era muito poderoso, sobretudo relativamente à capacidade de “parada”,
mas era muito preciso (mais do que o 9mm Parabellum). Também o mecanismo de
gatilho das armas “suíças” (só passaram efetivamente a ser produzidas em solo suíço
a partir de 1917, na Eidgenössische Waffenfabrik em Berna) era diferente, para
melhor, do que o utilizado nas suas “primas” alemães. Uma outra diferença
relativamente à “P08” era um ligeiramente maior comprimento do cano (120mm invés
de 100mm). Estas três características fazem da encarnação suíça, chamada de “Ordonnanzpistole 00” ou “OP00”, a “Luger” ainda
mais precisa do que a “P08”; que graças à empunhadura anatómica, cano fixo e
linhas elegantes já tinha assinalável exatidão de tiro.
Contudo todas as versões desta arma possuíam os
mesmos defeitos básicos; eram mecanismos complexos cuja produção requeria
cuidada colocação manual de várias peças que eram manufaturadas com reduzidas
tolerâncias. Tudo isto contribuía para encarecer o produto que, em consequência,
jamais conseguiu competir convincentemente no mercado civil.
Também o original mecanismo de “joelho articulado”
não era isento de problemas na medida em que, ao abrir, deixava muito do
interior, em especial da parte esquerda, acessível e mesmo pequenas quantidades
de detritos poderiam ser o suficiente para causar mau funcionamento. Tal era que
mesmo no mercado militar acabou por ser substituída por pistolas mais baratas e
mais confiáveis.
Embora a tradição isolacionista e neutral da Suíça
tenha impedido de testar a “Ordonnanzpistole 00” em teatros de guerra este
modelo pontua muito alto ao nível de “qualidade” (até porque toda a produção
foi realizada em tempos de paz), “precisão” e “ergonomia”. As pontuações ao
nível de “segurança”, “funcionalidade” e “inovação” são médias. Já o “custo”, “produção”
e “fiabilidade” apresentam valores relativamente baixos.