Sempre achei que armas têm alma! E não me refiro à
parte oca do interior do cano de uma arma de fogo, mas sim ao conceito de
imaterialidade espiritual que transcende o objeto e a sua aplicação.
São instrumentos que impressionam, mesmo em repouso,
quer pelo poder potencial que encerram quer pela corporização de uma eficiência
e objetividade raramente encontrada noutras ferramentas.
O primeiro utensílio produzido pelo Homem foi uma
arma; o biface (ou "machado de mão"), e desde esses tempos imemoriais
a Humanidade têm sido diligente e aplicada na perpétua procura de formas mais
eficientes de matar ou incapacitar os seus semelhantes!
São, provavelmente, o tipo de utensílios que melhor
define a essência humana e a sua dicotómica natureza de genialidade e
monstruosidade.
Eu gosto de armas…e acho que faltava um espaço, em
português de POrtugal, onde se escreva sobre o assunto. Fascina-me especialmente
o período de 1939/45, onde, por instância do maior conflito da História
Mundial, a ciência das armas progrediu exponencialmente atingindo patamares
evolutivos tão elevados que, ainda hoje, os modelos atualmente em uso empregam
os mesmos princípios básicos. A aparente “cristalização” das armas de fogo
ligeiras, ou mais concretamente do seus “princípios de funcionamento”, nos
últimos 50 anos é o mais pungente elogio à capacidade inventiva dos homens que
criaram estas “máquinas de morte”! Contudo, e mesmo sendo uma frase-feita,
convém recordar que as armas, per si, não matam ninguém!